James Gosling criou o Java em 1995. A linguagem tem sido constantemente atualizada e agora oferece suporte à inteligência artificial, mas o Oracle Java deixou de ser a escolha preferida.
O mais recente relatório State of Java da Azul Systems revela que a linguagem de programação de 30 anos evoluiu com o tempo e agora é utilizada em aplicações avançadas, incluindo inteligência artificial (IA).
Mais de 2.000 usuários de Java foram entrevistados para o relatório deste ano. Metade (50%) deles está desenvolvendo funcionalidades com suporte a IA usando Java, superando outras linguagens populares, como Python, que é mais associada culturalmente à IA. Segundo a Azul Systems, isso demonstra que o Java é “adequado para o propósito”, oferecendo escalabilidade, bibliotecas extensas e integração perfeita com sistemas corporativos já existentes.
O Java utiliza uma plataforma de execução e um ambiente de desenvolvimento de software conhecido como Java Development Kit (JDK) para criar e executar aplicações. Ele é uma das principais linguagens usadas no desenvolvimento de sistemas empresariais.
Embora a Oracle venda o JDK comercialmente como Oracle JDK, também existe uma versão de código aberto chamada OpenJDK.
Java para aplicações de IA
“Todos nós que trabalhamos no OpenJDK estamos avançando o Java para que ele possa integrar-se muito mais rapidamente às capacidades de IA”, disse Scott Sellers, CEO da Azul Systems.
Segundo Sellers, muitos desenvolvedores de aplicações tradicionais estão utilizando Java para criar aplicações com suporte a IA, aproveitando interfaces de programação de aplicativos (APIs) para enviar consultas a modelos de linguagem de grande escala (LLM).
Essa abordagem é muito diferente da adotada por cientistas de dados, que precisam executar consultas ad hoc nos dados usando linguagens como Python.
“Aplicações em nível de produção precisam lidar simultaneamente com centenas de milhares ou milhões de usuários, e o bom e velho Java é a melhor opção por sua escalabilidade, resiliência e segurança”, afirmou Sellers.
Ele também destacou que o Java foi amplamente testado ao longo das décadas, tornando-se uma plataforma extremamente estável e bem compreendida para a execução de aplicações empresariais.
Mudanças na licença da Oracle
No entanto, o custo se tornou um obstáculo para algumas organizações devido às mudanças na licença do Oracle JDK. De acordo com pesquisas da Gartner, isso tornou o Java da Oracle de duas a cinco vezes mais caro do que o modelo de assinatura anterior.
O relatório da Gartner, “3 passos para gerenciar a exposição à licença do Oracle Java SE”, publicado no final de janeiro, alerta: “Se alguém em sua organização fez o download de qualquer atualização do Oracle Java SE desde abril de 2019, provavelmente precisará de uma assinatura – e pode haver um risco de conformidade. Você pode optar por uma assinatura do Oracle Java SE caso precise de um contrato de suporte comercial, especialmente se estiver usando uma versão muito antiga ou muito recente do Java, como o Java 7 ou 21.”
Além do custo da assinatura do Java, a pesquisa da Azul Systems revela que algumas organizações estão optando por não pagar por manutenção e suporte do Oracle JDK. Entre os participantes que não investem em suporte para Java, 21% citaram o alto custo como um fator decisivo, 31% disseram que não era uma prioridade, e 52% consideraram que simplesmente não precisavam dele.
Segundo a Azul Systems, essa divisão destaca o dilema que as organizações enfrentam entre custos imediatos e o valor a longo prazo de um desempenho seguro e confiável das aplicações, especialmente em ambientes onde estabilidade e segurança são essenciais.
A empresa também acredita que a crescente insatisfação reflete uma necessidade urgente de opções mais acessíveis, impulsionada por organizações que estão reavaliando suas estratégias de longo prazo para gerenciar os custos de licenciamento e suporte do Java, buscando alternativas mais previsíveis e sustentáveis.
Na pesquisa anterior da Azul Systems, 72% dos usuários do Oracle Java já estavam considerando migrar para outro provedor de JDK. Esse número subiu para 88% na pesquisa mais recente.
Embora 88% dos entrevistados estejam cogitando mudar do Oracle Java e 82% expressem preocupação com os preços praticados pela Oracle, Scott Sellers destacou que alguns dos participantes não são diretamente afetados pelos aumentos de custo, pois o orçamento do Java está sob responsabilidade de outra área. “Um desenvolvedor cuja rotina gira completamente em torno do Java pode não sentir diretamente o impacto no orçamento, porque outra pessoa está arcando com a taxa de licenciamento”, explicou.
Os proprietários de aplicações também não são os responsáveis finais pelo pagamento do Java. O custo costuma ficar oculto, pois é considerado parte da infraestrutura, assim como despesas com instalações e acesso à internet. Como os custos de software e infraestrutura são compartilhados entre várias aplicações, os responsáveis por elas não conseguem gerenciá-los diretamente. Segundo Sellers, isso faz com que eles busquem outras formas de reduzir gastos, em vez de se preocuparem com a licença do Oracle JDK.
A pesquisa revelou que os usuários perceberam que não precisam utilizar o Oracle JDK, já que o OpenJDK oferece a mesma funcionalidade. “Por que escolher algo licenciado comercialmente com restrições, em vez de uma alternativa open source?”
Normalmente, a decisão final cabe ao chefe de TI ou ao CIO, que tem o poder de impor mudanças.
Sellers também destacou que a Oracle adota uma abordagem bastante agressiva em suas auditorias, frequentemente exigindo relatórios de uso dos clientes. “Se você não quer lidar com auditorias de software, é melhor simplesmente abandonar a Oracle e migrar para algo que seja inerentemente open source e não exija licenciamento comercial”, concluiu.
Complexidade da migração
Uma das áreas de foco da Azul Systems é ajudar empresas a entender seu inventário de Oracle Java e oferecer o que Sellers chama de “substituição equivalente”. Isso pode ser particularmente difícil, pois diferentes versões do Java podem estar em uso, e cada uma precisa ser substituída pela versão correta do OpenJDK para evitar que aplicações que dependem de uma versão específica do JDK parem de funcionar.
“Um dos desafios ao migrar do Oracle Java é que a Oracle fornece cerca de 1.000 atualizações por trimestre”, afirmou Sellers.
A situação se complica ainda mais devido à existência de patches para versões principais e secundárias do Java. “Se você não tiver um equivalente exato para todas as versões e subversões que está utilizando da Oracle, poderá enfrentar problemas de incompatibilidade, o que pode ser um grande desafio.”
Dado seu amplo uso, o Java continuará desempenhando um papel fundamental na TI empresarial por muitos anos. No entanto, é altamente provável que os líderes de TI optem por alternativas mais baratas ao Oracle JDK.
Com conteúdo do ComputerWeekly.com.

Luiza Fontes é apaixonada pelas tecnologias cotidianas e pelo impacto delas no nosso dia a dia. Com um olhar curioso, ela descomplica inovações e gadgets, trazendo informações acessíveis para quem deseja entender melhor o mundo digital.