Os nanosatélites da Hiber podem ser pequenos, mas a startup espacial holandesa tem grandes ambições: fornecer conectividade de internet de baixo custo e baixo consumo de energia para dispositivos de internet das coisas (IoT) em qualquer lugar do mundo.
A empresa lançou seus dois primeiros nanosatélites em novembro de 2018 e espera que a rede esteja operacional para seus parceiros – que incluem o British Antarctic Survey e a organização sem fins lucrativos EduClima – nos próximos dois meses.
A Hiber está focada em três mercados principais: agricultura, monitoramento de tanques e silos, e logística. Os satélites movidos a energia solar coletarão dados transmitidos por modems conectados a dispositivos IoT e os retransmitirão para a Terra, especialmente em locais com conectividade limitada ou inexistente, como áreas rurais da África.
Sensores agrícolas, por exemplo, podem coletar informações sobre os níveis de umidade do solo, temperatura e umidade do ar.
“Wi-Fi ou qualquer outra solução com fibra cobre apenas cerca de 10% do mundo,” afirma Coen Janssen, cofundador da Hiber e diretor de inteligência de negócios.
“E é por isso que os satélites são, na verdade, a melhor solução se você deseja expandir além desses 10%.”
Segundo Janssen, que já trabalhou na OTAN explorando o futuro dos nanosatélites, o custo para receber essas atualizações é de “apenas alguns euros por ano”.
“Os agricultores recebem informações sobre o que fazer no campo, seja irrigação, cuidados com a nutrição das plantas, esse tipo de orientação.”
Isso pode resultar em colheitas até “três ou quatro vezes mais produtivas”, acrescenta.
Lançando nanosatélites Hiber ao espaço
Enviar satélites ao espaço é um processo extremamente caro.
“Um dos principais obstáculos para alcançar o espaço é o mercado de lançamentos,” explica Janssen.
A infraestrutura necessária para lançar um foguete custa centenas de bilhões de dólares. Antes de empresas privadas como a SpaceX e a Blue Origin reduzirem os custos, cada lançamento custava centenas de milhões de dólares.
A Hiber colabora com essas empresas comerciais, alugando um dos “espaços sobrantes” em um foguete da SpaceX. Com um custo de cerca de €50.000 por quilograma, o lançamento de um nanosatélite do tamanho de uma caixa de sapatos sai por cerca de meio milhão de euros.
No estágio superior do foguete, o nanosatélite é liberado de uma “caixa de depósito” por meio de uma mola. Não há propulsão a jato para alinhar o satélite em órbita — tudo depende do momento correto. A física de Newton garante que o satélite seja capturado pela gravidade da Terra, entrando em órbita a cerca de 600 km de altitude.
Com uma velocidade de aproximadamente 7 km por segundo, cada nanosatélite completa 16 voltas ao redor da Terra por dia.

Como os nanosatélites coletam dados
O primeiro passo é coletar os dados na Terra, seja em uma fazenda ou no meio do oceano.
Os pacotes de dados – com tamanho aproximado de um tweet – são enviados e armazenados em um modem Hiber, localizado próximo aos dispositivos IoT.
A maior parte do tempo, esse modem permanece em modo de hibernação, o que reduz significativamente o consumo de energia e, consequentemente, os custos operacionais.
Essa abordagem é o que inspirou o nome “Hiber”.
“O modem está em hibernação 99% do tempo,” explica Coen Janssen.
Quando o satélite passa sobre o modem, o dispositivo desperta, transmite os dados ao nanosatélite e retorna ao modo de hibernação. Em seguida, o nanosatélite envia os dados para a estação terrestre da Hiber.
“Depois, os dados ficam disponíveis em um repositório para os clientes finais.”
Uma indústria de nanosatélites em crescimento
A queda nos custos de lançamentos espaciais e o aumento da demanda por conectividade estão impulsionando o crescimento da indústria de satélites de pequeno porte. Empresas como Sky and Space Global, OneWeb e Astrocast já estão oferecendo soluções de conectividade para áreas com cobertura limitada.
A gigante da tecnologia Amazon também tem planos para o espaço, com a proposta de lançar uma constelação de 3.263 satélites em órbita baixa para fornecer internet rápida aos consumidores.
Por outro lado, a Hiber está focada em seu nicho: fornecer cobertura global de IoT a baixo custo. No longo prazo, a empresa pretende lançar mais nanosatélites, com o objetivo de expandir o serviço de uma atualização uma vez por dia para uma atualização uma vez por hora em escala global.
Com conteúdo do Verdict.

Luiza Fontes é apaixonada pelas tecnologias cotidianas e pelo impacto delas no nosso dia a dia. Com um olhar curioso, ela descomplica inovações e gadgets, trazendo informações acessíveis para quem deseja entender melhor o mundo digital.